quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A peça "Vermelho" e algumas relações com o "Olhar do Outro"

Mark Rothko (Antônio Fagundes) - Foto: Ana Laura Paiva
No último sábado (24), eu e mais integrantes do Olhar do Outro assistimos ao espetáculo "Vermelho", que aconteceu no Theatro Guarany. A peça, com atuação de Antônio Fagundes e Bruno Fagundes, é dirigida por Jorge Takla e nos faz emergir no universo subjetivo do pintor expressionista Mark Rothko. Na cena, Rothko, ao mesmo tempo em que expressava o amor por suas próprias pinturas, exprimia as suas frustrações pela não apreciação e desdém dos espectadores para com as suas obras. 

O sentimento de frustração de um artista - por não ter sido correspondido pelo público - está refletido também na peça Olhar do Outro, através do personagem Trepliov. Entrelaçando as dramaturgias: 

Em "Vermelho" o já reconhecido pintor se decepciona com o desdém dos espectadores para com suas obras, se sentindo corrompido pela cultura da arte como produto a ser vendido. Em "A Gaivota",  ao contrário, Trepliov não é um artista reconhecido como Rothko, mas um escritor sem fama alguma, e se sente fracassado quando percebe que seus textos não agradam nem à própria mãe (uma atriz) e nem ao próprio amor (Nina, que está atuando na peça dele).

Outros cruzamentos:

Trepliov (Lumilan Noda) - Foto: Thiago Rodeghiero
"Jovens artistas estão querendo me assassinar", falou o pintor. 
Tal indignação lhe serviu de afirmação quando, em forma simbólica, o artista quis dizer a seu assistente que as formas novas com as quais os jovens vinham se identificando e propondo estavam sendo, na realidade, desprovidas do mesmo peso, subjetividade e intensidade que as suas continham.

"Precisamos de formas novas, formas novas são indispensáveis e, se elas não existirem, então é melhor que nem haja nada".
Trepliov em contraponto, defendendo que a arte não deve ser de poucos, isto é, que não deve ser feita apenas pelos mais consagrados e reconhecidos artistas.

O suicídio é outro ponto em comum aos dois personagens. Porém, diferentemente do personagem Trepliov, criação de Tchekhov para "A Gaivota", a história de Rothko apresentada na peça é inspirada na real vida do pintor. 

Post: Lumilan Noda

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Ritual de Ensaios









Ontem ensaiamos com novos integrantes na parte técnica afinando o trabalho para apresentar no prédio da Brahma, este teve registro e fizemos como se fosse uma apresentação para o público. Contamos com o apoio da   Tatiana Sato fazendo imagens e Vitor Hiroshi na iluminação. Foi o primeiro contato com o trabalho cênico  deste integrantes com o grupo.

Temos em nossa pesquisa que encontrar os nossos"eus" para relacionar as mudanças e os novos espaços no qual o grupo apresenta seu trabalho. No projeto esses "eus" se dá no desnudamento em cena, criando rituais coletivos de corpo e olho no outro para encontrar esse diversos personagens, nós encontra e colocando nossa linguagem dentro deste processo.

Post de Tatiana Duarte

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Caça as Galinholas


O projeto "Olhar do Outro" está passando por uma fase de transformação. Com novas maneiras de se recriar, está com integrantes novos no elenco e equipe, nesta fase contamos com Vitor Hiroshi, criando e pesquisando o roteiro de iluminação, e Juliano Bgass que está no elenco do espetáculo.
Ainda em processo de criação de formas novas em conjunto com o grupo, os novos integrantes estão somando muito ao trabalho.
Hoje começou nossos experimentos em cena, e as barreiras de estar dentro e fora da cena fizeram o grupo se focar em pesquisa e movimento, o elenco esta performando os processos coletivos de trabalho.
As cenas e partituras estão se formado para esse corpo diferente, está sendo um desafio super prazeroso trazer essas novas simbologias à equipe.








Vídeo de pesquisa do Juliano Bgass, em seu processo na construção de movimentos para as cenas.


Post por Tatiana Duarte

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Vídeos da oficina "Corpos Projetados"












RELATÓRIO DA OFICINA “CORPOS PROJETADOS”


A experiência em ministrar a oficina foi gratificante, ficamos muito envolvidos com a elaboração da oficina, que aconteceu desde a limpeza do espaço que seria usado até a interação com vídeos que foram os resultados finais do trabalho. Também pudemos observar como se deram as relações deste grupo de participantes que partilharam ideias e auxiliaram os colegas a organizar todas as ações. Todos se empenharam para que tudo desse certo.

Neste trabalho tivemos poucos participantes, mas isso não foi preocupante, pois quem lá estava, esteve entregue ao jogo e com isso conseguimos fazer as nossas atividades com calma e com ótimos resultados.

Tivemos no primeiro encontro a introdução da nossa pesquisa sobre as relações de vídeo e teatro, mandando um plano de aula para o pessoal por e-mail com as referencias. Além disso, organizamos slides dando suporte teórico, depois passamos para exercícios de corpo e voz, este se deram em uma sala, aonde formamos um circulo com os participantes.

Neste inicio de práticas nós mais os participantes alongamos, indo o corpo livre de encontro com a dança (como forma de aquecimento); fomos conduzindo o pessoal a lembrarem dos sonhos que havíamos pedido que trouxessem para contar na oficina; caminhando pelo espaço, um de cada vez parava e contava seu sonho; acrescentamos um bastão ao jogo: um participante ia ao centro do circulo e falava seu sonho, enquanto os outros iam jogando o bastão. Ficamos um tempo exercitando o pensamento, o corpo e a voz com esse jogo passando para a fase seguinte: uma dupla de forma que um conta o sonho para o outro. Partimos para outra etapa que foi escrever o que vinha mente durante um tempo de 5 minutos. Esses escritos ficariam com eles mesmos, era mais uma maneira de criação artística pessoal que eles teriam para montar em solos ou em seu processo de arte dentro de sua área, pois tínhamos participantes das artes, arquitetura e do cinema.

Concluindo essa etapa, fomos para prática das formas simbólicas que os sonhos nos ofereciam e começamos a elaborar os vídeos para o processo criativo. Este foi bem aberto e todos nós ajudamos uns aos outros nas composições que foram surgindo. Terminávamos nossa atividade quase as 22h30, o envolvimento foi grande.

Com esse material capturado fomos para casa, então começou outra aparte do trabalho que foi a edição do material, contamos, para isso, com o apoio do técnico do projeto que também fez a oficina, Thiago Heinemann Rodeghiero. Ele entregou, no dia da mostra, os vídeos para que pudéssemos interagir com essas linguagens midiáticas. O resultado: um jogo interessante com as projeções inspiradas nesses sonhos, trabalho este que tentamos esboçar em vídeo-performance no momento da mostra.

Ana Laura Paiva, Lumi Noda e Tatiana Duarte

Relato dos Participantes da Oficina Olhar do Outro

Desde o início de minha graduação em Artes Visuais, me chamava muita atenção o momento em que o professor passava ou parava diante do data show e a projeção do conteúdo tomava a forma do corpo, deformando a imagem, variando o tamanho e a cor.

Com o decorrer do tempo o contato com videoarte aumentou, e o entendimento das possibilidades que os anteparos oferecem foram sendo descortinadas para mim.

Por conta disso, na oficina "Corpos Projetados" a questão das projeções não foram as que mais me instigaram; o processo por trás do vídeo projetado, sim.

Como um não-ator, o trabalho realizado até alcançar o produto final (vídeo projetado e suas interações) me desconcertou, considerando o distanciamento com o qual encaro o uso de minha própria imagem. Usar meu sonho, minha escrita, minha fala, minha mão... Usar-me como material de inspiração e composição foi a grande graça conquistada através da oficina, além das muito grandes outras graças que foram as trocas de experiência entre as pessoas presentes.

Como artista em formação, no momento atual passo por uma crise poética na qual o abismo da auto-imagem e o olhar do outro em relação a ela me são extremamente pertinentes.

A interpretação de um personagem, a interpretação de um sonho, a revelação do eu-interior... Isso me faz questionar se a velatura do que pensamos/sentimos não é de certa forma a composição natural de um personagem - e que é mais fácil vestir-se de outros personagens que despir-se desse "eu mesmo" que cobre o verdadeiro eu.

De toda maneira, a experiência veio em boa hora, e seus frutos hão de ser degustados e digeridos por mais um tempo.

Yuri Morroni




Participar da oficina foi de grande valia para mim, que trabalho com edição de vídeos, e ver como esses videos podem ajudar a compor uma cena foi incrível, as enormes possibilidades que isso pode trazer e os vídeos que criamos durante a oficina me fizeram ver enormes possibilidades de criação em ambos os os universos tão estreitos.

Thiago Rodeghiero




Há cerca de um ano comecei a meu interessar por projeções e desde então não parei de pesquisar a respeito. Através da Ana Laura, conheci o trabalho do "Olhar do outro" e me apaixonei ainda mais pelas projeções. Foi um experimentar-se, um olhar para dentro de si mesmo, usar os próprios sonhos e a própria imagem para gerar um novo material foi algo único para mim, uma estudante de arquitetura, que sou acostumada a pegar referências de fora para meu trabalho. Entrar dentro de um personagem, encarar uma câmera, ouvir a própria voz e interagir com as projeções foi incrível, certamente os frutos que surgiram naquele feriado, tudo que aprendi perdurará por muito tempo na minha vida e em minha atitudes.
Parabéns a equipe pelo belo trabalho!

Camila Parolin Ortega.





Post por Tatiana Duarte